Resposta rápida
O tratamento para vício em drogas começa pela família, antes mesmo de o dependente aceitar ajuda. Na avaliação gratuita, a equipe indica se o caso pede acompanhamento ou internação e qual das três modalidades previstas em lei se aplica. Na Clínica Anjos da Vida, a internação é feita na sede em São Paulo e nas unidades filiadas.
| Investimento | Avaliação gratuita; particular ou convênio Bradesco |
|---|---|
| Prazo | Cerca de 6 meses com internação, em 3 etapas de 2 meses |
| Primeiro passo | Orientação à família |
| Modalidades | Voluntária, involuntária e compulsória |
| Onde | Sede em São Paulo e unidades filiadas |
O tratamento para vício em drogas na Clínica Anjos da Vida começa pela família, antes mesmo de o dependente aceitar ajuda. Na avaliação gratuita, a equipe multidisciplinar indica se o caso pede acompanhamento ou internação e qual das três modalidades previstas na Lei 10.216/2001 se aplica. O atendimento é sigiloso desde a primeira conversa.

Qual é o primeiro passo para se livrar de um vício?
O primeiro passo, quando quem procura ajuda é a família, é buscar orientação profissional para si antes de pressionar o dependente. A família que chega preparada muda o jeito de conversar, deixa de alternar ameaça e súplica e aumenta a chance de o familiar aceitar o tratamento.
Uma revisão sistemática com meta-análise de 4 ensaios clínicos e 264 familiares mostrou que treinar a família em comunicação positiva levou o dependente ao tratamento em uma proporção 3,25 vezes maior que o modelo de grupos de mútua ajuda e 2,15 vezes maior que a intervenção de confronto, segundo a revisão publicada na revista científica Addiction em 2010.
Os estudos reunidos eram pequenos e pedem cautela, mas a leitura para a sua casa é prática: a emboscada na sala, com todos cobrando ao mesmo tempo, tende a render menos que uma conversa planejada. Por isso o primeiro passo é da família, e ele segue uma ordem.
- Anote o que você já sabe, quais substâncias, há quanto tempo, quais episódios de risco aconteceram e o que já foi tentado;
- Leve essas anotações para a avaliação gratuita;
- Combine com os outros familiares uma mesma postura, quem conversa com ele e o que a casa deixa de financiar;
- Escolha o momento da conversa, com ele sóbrio, sem plateia e de preferência logo depois de uma consequência do uso;
- Tenha o próximo passo pronto, com o contato da equipe e a avaliação combinada, para o momento em que ele disser sim.
No acompanhamento das famílias que chegam até nós, o erro que mais se repete no primeiro dia é anunciar a internação no meio de uma briga, como castigo. A proposta feita com calma, depois de a família já ter falado com a equipe, costuma encontrar menos resistência.
Quando a conversa trava, vale conhecer as frases e os momentos que ajudam a convencer o familiar dependente a aceitar tratamento sem transformar o convite em ultimato.
O que é bom para tirar a vontade de usar drogas?
A vontade intensa de usar, chamada de fissura, diminui com tempo longe da droga, rotina protegida, terapia e, em alguns casos, medicação prescrita por médico para sintomas como ansiedade e insônia. Nenhum comprimido apaga a fissura sozinho, e é isso que a família precisa saber antes de gastar com promessas.
Para quem convive com o dependente, a fissura raramente aparece com esse nome. Ela surge como irritação sem motivo, insônia, pedidos insistentes de dinheiro, sumiços em horários que se repetem e brigas que começam do nada no fim de semana.
O que tira a vontade de cheirar?
Para a vontade de cheirar cocaína, não existe hoje nenhum medicamento aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos para tratar a dependência, segundo o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos. O que tem resultado comprovado são as terapias comportamentais, feitas em internação ou em ambulatório.
Na prática, a falta de um remédio aprovado quer dizer que remédio, chá, suplemento ou injeção vendidos como corte da vontade não têm base e podem atrasar o tratamento que funciona. O que reduz a fissura da cocaína é aprender a reconhecer os gatilhos, evitá-los e ter com quem contar quando a vontade vem, com acompanhamento terapêutico.
Como a família lida com a fissura dentro de casa?
A família não controla a fissura do dependente, mas controla o ambiente em que ela acontece. Estas atitudes reduzem o combustível da crise sem transformar a casa em vigilância permanente.
- Evite entregar dinheiro vivo e prefira pagar diretamente as contas dele, como transporte e alimentação;
- Adie a conversa difícil para quando ele estiver sóbrio, porque discutir no pico da fissura costuma terminar em briga;
- Registre dias, horários e situações em que a vontade aparece, porque esse registro ajuda muito na avaliação;
- Cuide de quem cuida, com apoio para você e para os outros familiares, porque a família exausta perde a firmeza;
- Procure socorro imediato pelo SAMU (192) se houver agitação extrema, dor no peito, convulsão, confusão ou ameaça à vida.
A fissura é diferente do que o corpo sente nos primeiros dias sem a droga. Para reconhecer tremores, suor, agitação e outros sinais físicos, vale entender a crise de abstinência e seus sintomas antes de decidir o próximo passo.
Qual o vício mais difícil de largar?
Não existe um ranking oficial do vício mais difícil de largar, porque a dificuldade depende da substância, do tempo e da frequência de uso, da mistura com álcool, de outros transtornos de saúde mental e do ambiente em que a pessoa vive. Duas pessoas que usam a mesma droga podem ter quadros muito diferentes.
Drogas de efeito curto e intenso, como o crack, tendem a levar a ciclos de uso seguidos, com dias sem dormir e sem comer. Esse padrão costuma pesar mais na rotina da família e no corpo do dependente, e é um dos pontos que a avaliação observa com atenção.
Para decidir o tratamento, a pergunta que mais ajuda a família é outra: quanto a droga já tomou da vida do seu familiar, no sono, no trabalho, no dinheiro, nos vínculos e na segurança dele e da casa. É essa resposta, e não o nome da substância, que define a intensidade do cuidado.
Na avaliação que fazemos de cada caso, a mistura de substâncias costuma dizer mais sobre a gravidade do que a droga principal. Quando a família conta que ele “usa cocaína, mas bebe junto todo dia”, essa combinação muda o plano de desintoxicação e merece ser relatada logo no primeiro contato.
Quando o tratamento para vício em drogas precisa de internação?
A internação entra quando o cuidado fora da clínica já não é suficiente. A Lei 13.840/2019, que incluiu o art. 23-A na Lei 11.343/2006, determina no § 6º que a internação, em qualquer modalidade, só é indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
O critério legal da internação vira, na prática, uma lista de sinais que a família consegue observar em casa. Quanto mais sinais aparecem, mais forte é a indicação de uma avaliação para internação.
- Risco à vida, como episódios de overdose, falas sobre morrer, dirigir sob efeito ou misturar drogas com álcool;
- Tentativas anteriores de tratamento ambulatorial ou em serviço público sem conseguir interromper o uso;
- Agressividade, ameaças ou quebra de objetos dentro de casa;
- Sintomas como desconfiança exagerada, delírios ou alucinações;
- Ciclos de uso de dias seguidos, sem dormir ou comer, com sumiços de casa;
- Perda do controle sobre dinheiro, trabalho ou estudo, com dívidas e venda de objetos.
Um único sinal de risco à vida já justifica procurar ajuda no mesmo dia, e diante de falas sobre morrer o CVV atende 24 horas pelo telefone 188. Quando nenhum desses sinais aparece, o caminho costuma começar pelo acompanhamento ambulatorial, e a rede pública oferece esse cuidado de forma gratuita nos CAPS AD.
Se o quadro do seu familiar pede estrutura, a avaliação em uma clínica de recuperação com equipe multidisciplinar define o formato do cuidado e a modalidade de internação que cabe ao caso.
Quais são os tipos de internação para dependentes de drogas?
A lei brasileira prevê três tipos de internação: voluntária, involuntária e compulsória. Estão no art. 6º da Lei 10.216/2001, que também exige laudo médico que descreva os motivos, e a Lei 13.840/2019 incluiu na Lei 11.343/2006 as regras específicas para dependentes de drogas.
| Tipo de internação | Quem pede | Quem decide | Regras que a família precisa conhecer | Base legal |
|---|---|---|---|---|
| Voluntária | O próprio dependente, que assina uma declaração ao ser admitido | Médico registrado no CRM do estado | Termina por pedido escrito do paciente ou por decisão do médico | Lei 10.216/2001, arts. 6º, 7º e 8º |
| Involuntária | Familiar ou responsável legal e, na falta deles, servidor público da saúde, da assistência social ou do Sisnad, nunca da segurança pública | Médico registrado no CRM do estado, depois de avaliar o caso | Dura o tempo da desintoxicação, no máximo 90 dias, e a família pode pedir a interrupção a qualquer tempo. Internação e alta são comunicadas em até 72 horas ao Ministério Público e à Defensoria Pública | Lei 10.216/2001, arts. 6º e 8º, e Lei 11.343/2006, art. 23-A, §§ 3º, 5º e 7º |
| Compulsória | Um pedido à Justiça, feito em geral pelo Ministério Público ou pela família com advogado ou Defensoria Pública | O juiz | O juiz considera as condições de segurança do local para o paciente, os demais internados e os funcionários | Lei 10.216/2001, arts. 6º e 9º |
Entre os três tipos, a internação involuntária é a que mais muda a decisão da família. Ela dispensa processo judicial e exige uma decisão médica formalizada, e por isso a avaliação vem sempre antes de qualquer transporte do dependente.
Internação involuntária e compulsória são a mesma coisa?
Não. A internação involuntária é pedida pela família e decidida por um médico, sem passar pelo juiz. A compulsória é determinada por um juiz, em um processo judicial. Tratar as duas como sinônimos faz a família procurar advogado quando bastaria a avaliação médica, ou achar que o pedido dela dispensa o médico.
Uma forma simples de guardar a diferença é olhar para quem assina a decisão. Na voluntária, assina o próprio dependente; na involuntária, assina o médico, a pedido da família; na compulsória, assina o juiz.
Os documentos, os prazos e os direitos do internado em cada modalidade estão reunidos nas regras da internação de dependentes químicos pela lei, com o passo a passo que a família segue depois da avaliação.
A família pode levar o dependente à força para uma clínica?
Não. A família não leva ninguém à força, e a remoção de casa sem avaliação médica, feita por quem se apresenta como serviço de resgate, é irregular. A Lei 11.343/2006 exige que a internação sem consentimento seja realizada depois da formalização da decisão por médico responsável (art. 23-A, § 5º, I).
A mesma lei determina que a internação por uso de drogas aconteça apenas em unidades de saúde ou hospitais gerais com equipe multidisciplinar, autorizada por médico registrado no CRM do estado onde fica o estabelecimento (art. 23-A, § 2º), e que toda internação e alta seja informada em até 72 horas aos órgãos de fiscalização (§ 7º).
Se o seu familiar está em risco imediato, com sinais de overdose, agressivo ou fora de si, o caminho certo é o SAMU (192) ou o pronto-socorro mais próximo, e a Polícia Militar (190) quando há violência. A conversa com a equipe sobre o tratamento vem depois, com o quadro estabilizado.
Desconfie de quem oferece buscar o seu familiar em casa sem antes conversar com você e sem falar em avaliação médica. A ordem que protege a família e o dependente é sempre a mesma, primeiro a avaliação, depois a decisão médica, por último a internação.
Como é o tratamento depois da avaliação?
Depois da avaliação gratuita, o tratamento é conduzido por uma equipe multidisciplinar, com médicos, psicólogos e terapeutas no mesmo caso, e reúne três frentes: desintoxicação, acompanhamento terapêutico e atividades de bem-estar. O plano de cada pessoa é montado a partir do que a família e o dependente relatam na avaliação.
O tratamento costuma ser planejado em torno de 6 meses, em 3 etapas de 2 meses [a confirmar: tempo de tratamento e etapas]. Quando a internação começa involuntária, a lei limita essa fase ao tempo da desintoxicação, no máximo 90 dias, e a continuidade depende da adesão do paciente ao tratamento.
Quando o médico indica a internação involuntária, nossa equipe orienta a família sobre o pedido, a documentação e a comunicação obrigatória aos órgãos de fiscalização [a confirmar: enquadramento regulatório da clínica, ver Anvisa].
Quando o seu familiar mistura drogas ilícitas com álcool ou remédios, o plano segue a lógica do tratamento da dependência química com várias substâncias, que olha para o conjunto do uso e não para uma droga isolada.
Como a família participa do tratamento?
A família participa desde a avaliação até a volta para casa. O Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas registra que o fortalecimento do apoio dos familiares e das relações sociais saudáveis ajuda a reduzir possíveis recaídas. A Lei 11.343/2006 vai na mesma direção e exige que o plano individual de atendimento do dependente contemple a participação dos familiares (art. 23-B, § 3º).
Para a família, isso significa que o tratamento também muda a rotina de quem fica em casa: combinados sobre dinheiro, horários e visitas, preparo para a volta e apoio emocional para os próprios familiares, inclusive em grupos de mútua ajuda voltados para parentes de dependentes.
Uma recaída depois da alta funciona como o retorno de sintomas em uma doença crônica, como a hipertensão, e pede ajuste do plano. Quando a família já sabe o que fazer nesse momento, a volta ao tratamento acontece mais cedo e com menos culpa.
Quanto custa o tratamento e o plano de saúde cobre?
O custo é definido depois da avaliação gratuita e depende de três fatores: a forma de custeio, particular ou convênio, o tempo de internação e a estrutura que o caso exige. A clínica não publica tabela de valores, e a equipe apresenta as opções de custeio na conversa com a família.
Atendemos pelo convênio Bradesco e em regime particular, e outros convênios dependem de confirmação caso a caso [a confirmar: convênios além do Bradesco]. Como o convênio funciona na prática, do pedido de cobertura à autorização, está explicado na página da clínica de recuperação com Bradesco Saúde.
Quando a família não tem como custear o tratamento, a rede pública oferece atendimento gratuito nos CAPS AD, e a equipe pode orientar sobre esse caminho durante a avaliação, sem compromisso de contratação.
Perguntas frequentes sobre tratamento para vício em drogas
As dúvidas abaixo são as que mais aparecem quando a família decide buscar ajuda para um dependente de drogas ilícitas, respondidas de forma direta e com a base legal de cada situação.
Dá para tratar o vício em drogas sem internar?
O vício em drogas pode ser tratado sem internação quando não há risco à vida e o dependente consegue manter o acompanhamento ambulatorial, com terapia e consultas médicas. A própria lei reserva a internação para quando os recursos fora do hospital se mostram insuficientes. A avaliação gratuita indica qual formato cabe ao caso do seu familiar.
Quanto tempo dura a internação involuntária?
A internação involuntária de dependentes de drogas dura apenas o tempo necessário para a desintoxicação, com prazo máximo de 90 dias, conforme a Lei 11.343/2006, art. 23-A. O término é determinado pelo médico responsável, e a família pode pedir a interrupção a qualquer tempo. Depois dessa fase, o tratamento continua com a adesão do paciente.
O dependente pode sair da clínica quando quiser?
O dependente em internação voluntária pode encerrar o tratamento por pedido escrito, conforme a Lei 10.216/2001, e o médico também pode determinar a alta. Na involuntária, o término depende do médico ou do pedido escrito do familiar responsável. Na compulsória, a saída segue o que o juiz determinou no processo.
A família precisa de advogado para internar um dependente?
A família não precisa de advogado para internar sem o consentimento do dependente, porque esse pedido depende do pedido do familiar e da decisão de um médico registrado no CRM do estado. O advogado ou a Defensoria Pública entram apenas na internação compulsória, que é determinada por um juiz. A avaliação médica vem antes de qualquer decisão sobre o caminho.
Recaída depois do tratamento significa que ele não funcionou?
A recaída, que é voltar a usar depois de um tempo sem a droga, faz parte do curso de uma doença crônica e não apaga o que foi conquistado. Ela indica que o plano precisa de ajuste, como mais acompanhamento ou mudanças na rotina. Procurar a equipe logo nos primeiros sinais ajuda a retomar o plano mais cedo.
O tratamento é sigiloso?
O tratamento do vício em drogas é sigiloso por lei. A Lei 10.216/2001 garante ao paciente o sigilo das informações prestadas, e a Lei 11.343/2006 protege os dados das internações comunicadas aos órgãos de fiscalização, com acesso restrito às pessoas autorizadas. O primeiro contato da família também é tratado com reserva pela equipe.
Localização
Onde é feito o tratamento para vício em drogas?
A internação acontece na sede em São Paulo ou na unidade filiada que atende a região da família, longe da rotina de uso, o que pesa na prevenção da recaída. A família começa pela avaliação gratuita, e a chegada do paciente é planejada com a equipe.

