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O tratamento para vício em jogos, chamado de transtorno do jogo ou ludopatia, combina psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, proteção financeira e apoio à família. Costuma começar sem internação, que fica para perda total de controle ou risco de suicídio.
| Investimento | Avaliação gratuita; particular ou convênio Bradesco |
|---|---|
| Nome médico | Transtorno do jogo (ludopatia) |
| Início | Sem internação, na maioria dos casos |
| Onde | Sede em São Paulo e unidades filiadas |
O tratamento para vício em jogos, que a medicina chama de transtorno do jogo ou ludopatia, combina psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, proteção financeira e apoio à família, e costuma começar sem internação. A Clínica Anjos da Vida indica a internação quando há perda total de controle, risco de suicídio ou uso associado de álcool e outras drogas.

A ludopatia é grave?
Sim. A ludopatia é uma condição de saúde mental reconhecida, com impacto sobre as finanças, os vínculos familiares e a segurança de quem aposta. O Guia de Cuidado do Ministério da Saúde para problemas com jogos de apostas registra 10.553 atendimentos no SUS por jogo patológico entre janeiro de 2018 e maio de 2025, um aumento de 104% no período.
Na nossa leitura, o número diz duas coisas à família. O problema é comum o bastante para ter código próprio, protocolo e rede de atendimento, e todos esses atendimentos foram ambulatoriais ou na atenção primária (4.316 e 6.237), sinal de que a porta de entrada do cuidado costuma ser a consulta.
O mesmo guia cita a Organização Mundial da Saúde ao associar os problemas com apostas à ansiedade, à depressão e ao risco aumentado de suicídio e autolesão. Por isso, a gravidade se mede pelo que o jogo está fazendo com a saúde e a segurança do seu familiar, e o tamanho da dívida entra como um dos sinais.
Se o seu familiar fala em morrer, se despede ou diz que “não tem mais saída” por causa das dívidas, procure ajuda na hora pelo SAMU 192, pelo CVV 188 ou no pronto-socorro mais próximo. A conversa sobre o tratamento vem depois que ele estiver em segurança.
Por que o jogo patológico é um transtorno do controle do impulso?
O jogo patológico aparece na CID-10, a classificação usada no SUS, com o código F63.0, dentro do grupo dos transtornos dos hábitos e dos impulsos. As classificações diagnósticas mais recentes adotam o nome transtorno do jogo, e o quadro se define pela perda de controle sobre apostar mesmo diante de prejuízo evidente.
O diagnóstico de jogo patológico explica o que a família vê em casa. O dinheiro perde o valor de dinheiro e vira apenas o meio para continuar jogando, e quem aposta sente culpa e vergonha, esconde, mente e volta a apostar para tentar recuperar o que perdeu. Força de vontade sozinha não interrompe esse ciclo, porque o freio do impulso é justamente o que deixou de funcionar.
Por ser um transtorno do impulso sem substância, o tratamento para vício em jogos usa ferramentas próprias, como o bloqueio do acesso ao dinheiro e às plataformas de apostas. Quando o jogo vem junto com álcool ou drogas, as duas condições precisam ser tratadas ao mesmo tempo.
Quais sinais mostram que a aposta virou doença?
Os sinais de que a aposta deixou de ser lazer aparecem primeiro no dinheiro e no comportamento, muito antes de o seu familiar admitir qualquer problema. Observe se ele apresenta algum destes comportamentos:
- Aposta valores cada vez maiores, ou por mais tempo, para sentir a mesma emoção;
- Volta a apostar para tentar recuperar o que perdeu no dia anterior;
- Esconde extratos, mente sobre o destino do dinheiro ou pede empréstimos sem explicar o motivo;
- Fica irritado, ansioso ou sem dormir quando tenta parar ou quando não consegue apostar;
- Compromete contas da casa, o salário ou bens da família para continuar jogando.
Onde internar quem tem vício em jogos?
A pessoa com vício em jogos deve ser internada em uma clínica com equipe médica e psicológica, ou em leito de saúde mental de hospital geral, quando há crise, risco de suicídio ou dependência associada de álcool e outras drogas. Fora dessas situações, o tratamento acontece em regime ambulatorial, com consultas, psicoterapia e grupos.
O Guia de Cuidado separa o atendimento em três níveis de gravidade. Na avaliação que fazemos de cada caso, acrescentamos a presença de álcool ou drogas e o histórico de tentativas anteriores, porque esses dois fatores mudam o local do tratamento.
| Situação do familiar | Onde o tratamento acontece | O que a família faz agora |
|---|---|---|
| Aposta com frequência, sem grandes prejuízos em casa ou no trabalho | Consulta ambulatorial na UBS, com psicólogo ou por teleatendimento do SUS | Conversar sem acusar e propor o autoteste e uma avaliação |
| Dívidas, conflitos familiares e sofrimento emocional intenso | Acompanhamento ambulatorial com psiquiatra, psicólogo, CAPS e grupos | Organizar a proteção financeira e participar das orientações |
| Perda total de controle, risco de suicídio, dívida extrema ou ausência de apoio | Serviço de urgência e, em seguida, internação em ambiente protegido | Buscar ajuda imediata e pedir a avaliação médica para internação |
| Jogo junto com álcool ou outras drogas | Internação com tratamento das duas dependências no mesmo plano | Relatar à equipe todas as substâncias e o padrão de apostas |
| Várias tentativas ambulatoriais sem resultado | Reavaliação médica, com internação quando o risco justificar | Levar à avaliação o histórico das tentativas e dos tratamentos |
O que decide a internação é o risco, e a dívida entra como um dos sinais dele. Uma família pode ter uma dívida grande e um familiar que aceita o acompanhamento ambulatorial, ou uma dívida menor e um familiar que já fala em tirar a própria vida. No segundo caso, a internação é indicada mesmo com o prejuízo financeiro menor.
Quando a aposta se mistura ao uso de cocaína ou de outras substâncias, o tratamento para vício em drogas com internação passa a fazer parte do mesmo plano, porque uma dependência costuma alimentar a outra.
No acompanhamento das famílias, o pedido de internação costuma chegar logo depois de uma dívida descoberta de repente. Antes de discutir o local do tratamento, a primeira pergunta que fazemos é se o familiar está em segurança, e o orçamento vem na conversa seguinte.
Como funciona a internação quando o jogador não aceita?
A internação de quem aposta segue a mesma lei das demais internações psiquiátricas, a Lei 10.216/2001. Ela pode ser voluntária, quando o próprio familiar aceita e assina; involuntária, quando a família pede e um médico registrado no CRM do estado atesta a necessidade; ou compulsória, quando a Justiça determina.
Na internação involuntária, o responsável técnico do estabelecimento comunica o Ministério Público em até 72 horas, e, conforme a Anvisa, ela ocorre apenas em serviço de saúde, nunca em comunidade terapêutica. A família encontra cada etapa, e os documentos que precisa reunir, no passo a passo da internação involuntária.
Nossa equipe avalia e conduz a internação voluntária e involuntária de pessoas com transtorno do jogo quando o quadro exige [a confirmar: enquadramento regulatório da clínica, ver Anvisa], sempre com laudo médico e com os direitos do internado preservados.
A família pode levar o familiar à força para a clínica?
Não. A família não leva ninguém à força, e nenhuma remoção deve acontecer sem avaliação médica prévia. Buscar o familiar em casa contra a vontade dele, sem laudo, é irregular e expõe a família e o dependente a riscos legais e físicos, além de romper a confiança que o tratamento vai precisar.
O caminho seguro começa pela avaliação. Diante de risco imediato, o primeiro contato é com o serviço de urgência; fora disso, a família fala com a nossa equipe, que avalia o caso e orienta qual tipo de internação a lei permite naquela situação.
Qual médico trata vício de jogo?
O médico que trata vício em jogos é o psiquiatra, que faz o diagnóstico, avalia depressão, ansiedade e uso de substâncias e decide sobre medicação e internação. Estudos internacionais reunidos pelo Guia de Cuidado indicam que até 75% das pessoas com problemas com apostas têm algum outro transtorno mental.
O psicólogo conduz a psicoterapia, que trabalha os gatilhos da aposta, a culpa e a reconstrução da rotina. Com depressão ou ansiedade graves, o tratamento para saúde mental e ansiedade entra junto, porque tratar apenas o jogo deixaria a causa do sofrimento sem cuidado.
O laudo de ludopatia muda o acesso às apostas?
Muda. A Lei 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa, proíbe no artigo 26 que aposte a “pessoa diagnosticada com ludopatia, por laudo de profissional de saúde mental habilitado”, e declara nulas as apostas feitas em desacordo com essa regra.
Para a família, o diagnóstico formal tem efeito prático fora do consultório, porque a própria lei o reconhece como motivo de impedimento para apostar. Pergunte à equipe que acompanha o seu familiar sobre o laudo e busque orientação jurídica para usá-lo no caso concreto.
Como funciona o tratamento para vício em jogos na clínica?
O tratamento começa pela avaliação gratuita, passa pela avaliação médica e psicológica e segue um plano que define se o caso pede internação ou acompanhamento ambulatorial. As etapas seguem esta ordem:
- A família conta a situação à equipe e agenda a avaliação gratuita, sem compromisso;
- A equipe avalia o padrão de apostas, as dívidas, o risco de suicídio e o uso de álcool ou drogas;
- A equipe indica o formato do cuidado e explica a base legal quando houver internação;
- Durante o tratamento, o familiar faz psicoterapia, recebe acompanhamento psiquiátrico e vive uma rotina protegida do acesso às apostas;
- A família participa das orientações e organiza, com a equipe, a proteção financeira da casa;
- Na alta, o plano segue com acompanhamento e grupos de mútua ajuda, porque a recaída pode acontecer e pede ajuste de conduta.
Um critério que usamos na avaliação: se o familiar aposta mais depois de beber, ou bebe para suportar as perdas, as duas dependências entram no plano de tratamento desde o primeiro dia, e nenhuma delas espera a outra melhorar.
Recaída, no vício em jogos, é voltar a apostar depois de um período sem jogar, algo que faz parte do tratamento de uma condição crônica. Uma recaída indica ajuste no plano, e a família que entende isso consegue agir rápido em vez de abandonar o tratamento.
Quando a bebida é a companheira habitual das apostas, o tratamento para alcoolismo com equipe multidisciplinar acontece em paralelo, dentro da mesma internação.
O que fazer para tirar uma pessoa do vício do jogo?
Para tirar uma pessoa do vício do jogo, a família combina três frentes ao mesmo tempo: bloquear o acesso ao dinheiro e às plataformas, levar o familiar a uma avaliação profissional e buscar apoio para si mesma. Nenhuma das três resolve sozinha, e cada uma sustenta as outras duas.
Quais medidas financeiras protegem a família?
As medidas financeiras reduzem o dano enquanto o tratamento começa. O Guia de Cuidado orienta ativar a autoexclusão nas plataformas legalizadas, que usam o domínio .bet.br, definir limites de depósito e manter uma conta exclusiva com valor fixo. Na orientação que damos às famílias, isso vira passos concretos:
- Pedir o bloqueio do CPF na Plataforma Centralizada de Autoexclusão do governo federal, que impede o acesso às casas de apostas autorizadas;
- Recolher cartões adicionais, reduzir limites de cheque especial e rever o acesso a contas conjuntas, com a concordância do familiar sempre que possível;
- Concentrar o salário em uma conta com transferências limitadas e deixar as contas da casa com outro adulto da família por um período combinado;
- Levantar todas as dívidas antes de quitar qualquer uma, para que o pagamento faça parte do plano de tratamento;
- Guardar extratos e comprovantes, que ajudam a equipe a entender o padrão de apostas na avaliação.
Os primeiros dias depois da autoexclusão costumam ser os mais difíceis. O Guia de Cuidado descreve ansiedade, irritabilidade e fissura nesse período, com risco de busca por plataformas alternativas. É quando o familiar mais precisa de companhia e acompanhamento, e quando a família deve evitar cobranças.
Onde a família encontra apoio?
A família encontra apoio gratuito em três lugares. O SUS oferece autoteste e teleatendimento para quem aposta e para familiares, no aplicativo Meu SUS Digital, que funciona como porta de entrada para a rede pública de saúde mental.
Os Jogadores Anônimos reúnem pessoas que querem parar de jogar, sem mensalidades nem taxas, em reuniões presenciais e online. Para cônjuges, pais e filhos, o Jog-Anon é formado por familiares e amigos íntimos de pessoas afetadas pelo jogo.
É comum a esposa descobrir as apostas depois de meses, porque quem joga sente vergonha e esconde. O grupo de familiares ajuda a atravessar esse momento sem carregar a culpa sozinha, e não substitui a avaliação médica quando há risco.
Quanto custa o tratamento para vício em jogos?
O custo depende da forma de custeio, particular ou convênio, do formato do cuidado e do tempo de internação, quando ela é indicada. A primeira avaliação é gratuita, e é nela que a equipe explica o custeio para o caso do seu familiar, sem compromisso e sem valor fechado antes de conhecer a situação.
Atendemos pelo convênio Bradesco e por particular; outros convênios estão [a confirmar]. Quem tem o plano pode entender a cobertura da clínica de recuperação via convênio Bradesco antes da avaliação.
Quando as dívidas de jogo apertaram o orçamento, o cuidado gratuito do SUS continua disponível pelas UBS, pelos CAPS e pelo teleatendimento, e a nossa equipe também orienta a família sobre esses caminhos.
Quem acompanha o seu familiar durante o tratamento?
O tratamento é conduzido por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicólogos e terapeutas, na nossa sede em São Paulo, que recebe famílias de todo o Brasil. Atuamos desde 2007 [a confirmar se 2007 é a fundação da clínica ou a idade do domínio], com sigilo sobre cada caso.
No vício em jogos, a equipe trata o transtorno do impulso, as comorbidades e a reorganização financeira no mesmo plano, com a família incluída nas orientações ao longo de todo o tratamento.
Toda internação segue a base legal do nicho: a Lei 10.216/2001, que garante os direitos da pessoa internada, e a Lei 13.840/2019 e a Lei 11.343/2006, que organizam a política sobre drogas quando há uso associado de substâncias.
Perguntas frequentes sobre tratamento para vício em jogos
As perguntas a seguir reúnem as dúvidas que mães, pais e cônjuges trazem com mais frequência quando descobrem as apostas de um familiar.
Ludopatia tem cura?
A ludopatia não tem cura definitiva, mas tem tratamento e controle. Com psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, proteção financeira e apoio da família, muitas pessoas deixam de apostar e reconstroem a vida. Como em outras dependências, a recaída pode acontecer e indica ajuste no tratamento, sem significar que tudo foi perdido.
Posso internar meu marido que não para de apostar sem ele aceitar?
A internação involuntária de quem tem transtorno do jogo é possível pela Lei 10.216/2001, a pedido da família, com laudo de médico registrado no CRM e comunicação ao Ministério Público em 72 horas. Ela acontece apenas em serviço de saúde, após avaliação médica, e nunca com remoção à força feita pela família.
O SUS trata vício em apostas?
O SUS trata o vício em apostas de graça, pelas Unidades Básicas de Saúde, pelos Centros de Atenção Psicossocial e pelo teleatendimento do aplicativo Meu SUS Digital, que atende também familiares. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o SUS registrou 10.553 atendimentos por jogo patológico, e a projeção é de alta.
Quanto tempo dura o tratamento da ludopatia?
O tempo de tratamento do vício em jogos varia conforme a gravidade, as comorbidades e a resposta de cada pessoa. Quando há internação, organizamos o tratamento em cerca de 6 meses, em 3 etapas [a confirmar], seguido de acompanhamento e grupos de apoio, porque a manutenção depois da alta é parte do cuidado.
Como perceber que meu marido está escondendo as apostas?
O marido que esconde apostas costuma deixar rastros no dinheiro e no humor. Sumiço de valores da conta, empréstimos sem explicação, celular sempre protegido, irritação quando o assunto surge e noites sem dormir acompanhando jogos são sinais frequentes. Quem aposta escondido geralmente sente vergonha, por isso a conversa funciona melhor sem acusação.
Localização
Onde internar quem tem vício em jogos?
Quando a internação é indicada, ela acontece na sede em São Paulo ou numa unidade filiada, com acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Antes disso, a avaliação gratuita orienta a família sobre a proteção financeira e o cuidado possível sem internar, que é o começo da maioria dos casos.

