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title: "Cogumelos e alucinógenos: um guia completo sobre as drogas"
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description: "Entenda o que são os cogumelos e os alucinógenos, um guia completo sobre as drogas, riscos e tratamentos disponíveis."
date_published: "2025-05-15T10:23:46-03:00"
date_modified: "2025-05-15T10:26:07-03:00"
author: "Kalena Gabriel"
reviewed_by: "Dra. Ana Paula Gonçalves de Mendonça"
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# Cogumelos e alucinógenos: um guia completo sobre as drogas

Entenda o que são os cogumelos e os alucinógenos, um guia completo sobre as drogas, riscos e tratamentos disponíveis.

Você já teve curiosidade sobre cogumelos alucinógenos e como eles afetam a mente humana, né?

Esses organismos fascinantes existem há milhares de anos e fazem parte de rituais culturais, práticas medicinais e, **infelizmente**, também de usos recreativos perigosos.

Vamos mergulhar nesse mundo complexo e entender melhor o que são essas substâncias, seus efeitos e riscos.

## O que são os cogumelos?

**Cogumelos são fungos. Eles não são plantas nem animais. Formam um reino próprio na classificação dos seres vivos, com características únicas.**

Os cogumelos são apenas a parte visível de um organismo maior que vive embaixo da terra ou dentro de matéria orgânica. Essa parte escondida se chama micélio.

Existem mais de 14.000 espécies conhecidas. E olha que os cientistas acreditam que esse número é só a ponta do iceberg!

Muitos cogumelos são comestíveis e deliciosos. Outros podem ser venenosos ou ter propriedades que alteram a percepção.

## O que são alucinógenos?

**Alucinógenos são substâncias que alteram a percepção da realidade no cérebro humano.**

Eles podem causar visões, sensações e pensamentos que não existem no mundo real. A pessoa vê cores, formas e até seres que não estão ali de verdade.

Essas substâncias interferem nos neurotransmissores do cérebro, principalmente a serotonina. É como se “bagunçassem” a comunicação entre os neurônios.

O efeito varia muito de pessoa para pessoa. Depende da substância, da quantidade e até do estado emocional de quem consome.

Muitas culturas antigas usavam alucinógenos em rituais sagrados. Achavam que eles abriam portas para mundos espirituais ou para conversas com deuses e ancestrais.

## Todos os cogumelos são alucinógenos?

**Não, a grande maioria dos cogumelos não causa alucinações.**

De todos os cogumelos conhecidos, apenas um pequeno grupo tem propriedades alucinógenas. São principalmente os dos gêneros Psilocybe, Panaeolus e Conocybe.

A maioria dos cogumelos que você encontra na natureza são inofensivos. Muitos são até comestíveis e nutritivos, como o champignon e o shiitake.

Outros podem ser venenosos sem serem alucinógenos. Esses são os realmente perigosos, pois podem causar danos aos órgãos ou até morte.

A confusão entre espécies é um risco enorme, sabe? Tem cogumelos mortais que parecem muito com espécies comestíveis ou alucinógenas.

## Cogumelo é droga?

Tecnicamente, os cogumelos alucinógenos **são considerados drogas psicoativas**.

Eles contêm substâncias como a psilocibina e a psilocina, que alteram o funcionamento do cérebro e causam [dependência química](https://clinicaanjosdavida.com.br/blog/dependencia-quimica/o-que-e-dependencia-quimica-guia-completo-para-entender/). Por isso, são classificados como drogas em muitos países.

No Brasil, os cogumelos que contêm psilocibina estão na lista de substâncias proibidas da Anvisa. A venda, compra e posse são consideradas crime.

É diferente dos cogumelos comestíveis que compramos no mercado. Aqueles são alimentos, não drogas.

Alguns pesquisadores têm estudado o potencial terapêutico dessas substâncias. Mas qualquer uso medicinal ainda está em fase experimental e sob supervisão rigorosa.

## O que é o “chá de cogumelo”?

O chá de cogumelo é uma bebida feita com cogumelos alucinógenos.

As pessoas fervem os cogumelos em água por alguns minutos e depois bebem o líquido. Alguns misturam mel ou limão para disfarçar o gosto que, convenhamos, não é dos melhores.

Essa forma de consumo foi popularizada porque muita gente acha que reduz o desconforto estomacal que os cogumelos costumam causar.

O efeito do chá começa mais rápido que comer os cogumelos. Geralmente em 20-30 minutos já dá para sentir as primeiras alterações na percepção.

A intensidade da experiência varia muito. Depende da quantidade, da potência dos cogumelos e da sensibilidade de cada organismo.

## O que é mel alucinógeno?

Mel alucinógeno é um produto feito por abelhas que coletam néctar de plantas com propriedades psicoativas.

O mais famoso vem de regiões do Nepal e da Turquia, onde abelhas visitam flores de plantas como o rododendro, que contém graianotoxinas. Essas substâncias podem causar alucinações.

Esse mel especial era usado por tribos antigas em rituais de passagem. Acredita que soldados romanos foram derrotados numa batalha porque o inimigo deixou esse mel no caminho deles?

No Brasil, existem relatos de mel alucinógeno produzido quando abelhas visitam flores de jurema ou de outras plantas que contêm DMT (dimetiltriptamina).

O consumo desse mel é extremamente arriscado. A concentração de substâncias varia demais e pode causar desde leves tontura até problemas cardíacos graves.

## Como saber e identificar um cogumelo alucinógeno

Identificar cogumelos alucinógenos é uma tarefa muito arriscada.

Os cogumelos mágicos, como são popularmente chamados, geralmente têm caules finos e chapéus pequenos a médios. Muitas espécies ficam azuladas quando manuseadas.

**O Psilocybe cubensis, um dos mais conhecidos, tem chapéu marrom-avermelhado e lamelas (a parte de baixo do chapéu) que escurecem com o tempo.**

Mas olha, tem um detalhe super importante: existem cogumelos mortais que parecem muito com os alucinógenos. A confusão pode ser fatal.

Não dá para confiar em guias da internet ou em dicas de amigos. Mesmo especialistas às vezes têm dificuldade em identificar espécies com certeza absoluta.

## Tipos de cogumelos alucinógenos

### Psilocybe cubensis

*Psilocybe cubensis*

É o mais conhecido e cultivado dos cogumelos alucinógenos.

Tem um chapéu que varia de marrom claro a dourado, com 2-8 cm de diâmetro. As lamelas são cinza-escuras ou pretas na maturidade.

Cresce naturalmente em esterco de gado em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, é encontrado principalmente no verão, depois das chuvas.

A concentração de psilocibina varia bastante entre espécimes. Por isso, a intensidade do efeito é imprevisível, podendo causar [surtos de esquizofrenia](https://clinicaanjosdavida.com.br/blog/dependencia-quimica/esquizofrenia-e-uso-de-drogas-entenda-a-relacao/).

### Psilocybe semilanceata

*Psilocybe semilanceata*

Conhecido como “liberty cap” (chapéu da liberdade), é bem pequeno mas potente.

Tem um chapéu cônico distintivo que lembra um mamilo ou um chapéu pontiagudo. A cor varia de amarelo-marrom a marrom-oliva quando úmido.

É encontrado principalmente em pastagens e campos gramados da Europa e América do Norte. No Brasil é raro.

Este cogumelo pode conter até 1% de psilocibina, o que o torna um dos mais potentes apesar do tamanho reduzido.

### Amanita muscaria

*Amanita muscaria*

Diferente dos outros, não contém psilocibina, mas sim muscimol e ácido ibotênico.

É facilmente reconhecível: chapéu vermelho com manchas brancas, como os cogumelos dos desenhos animados e dos jogos de videogame.

Os efeitos são bem diferentes dos causados pela psilocibina. Pode causar delírios, confusão e até comportamento semelhante à embriaguez.

É usado tradicionalmente por xamãs siberianos em rituais religiosos. Existem evidências de que os vikings o usavam antes de batalhas.

### Panaeolus cyanescens

*Panaeolus cyanescens*

Conhecido como “Hawaiian”, é extremamente potente.

Tem um chapéu pequeno (1-3 cm) de cor branco-acinzentada e escurece para azul-esverdeado quando manuseado ou danificado.

Cresce naturalmente em esterco de animais em climas tropicais, incluindo algumas regiões costeiras do Brasil.

É considerado um dos cogumelos com maior concentração de psilocibina do mundo, cerca de 2-3 vezes mais potente que o P. cubensis.

## Cogumelo juba de leão é alucinógeno?

**Não, o cogumelo juba de leão não é alucinógeno.**

Este cogumelo, cientificamente chamado Hericium erinaceus, é na verdade medicinal e comestível. Tem aparência única, com longas “espinhas” brancas que lembram uma juba.

O juba de leão é cada vez mais estudado por seus potenciais benefícios para o cérebro. Parece estimular o crescimento de células nervosas e poderia ajudar com problemas de memória.

Ele é usado na medicina tradicional chinesa há séculos. Hoje, encontramos suplementos de juba de leão em lojas de produtos naturais.

Nada a ver com alucinações ou viagens psicodélicas, entende? É mais para saúde mesmo.

## Ayahuasca é alucinógeno?

Sim, a ayahuasca é um alucinógeno potente.

**Ela não é um cogumelo, mas uma bebida preparada com duas plantas da Amazônia: o cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psychotria viridis.**

A ayahuasca contém DMT (dimetiltriptamina), uma substância alucinógena forte. Os efeitos incluem visões intensas e experiências que muitos descrevem como espirituais.

No Brasil, seu uso é permitido em contextos religiosos, como nas igrejas do Santo Daime, União do Vegetal e outras religiões ayahuasqueiras.

As experiências com ayahuasca costumam ser muito intensas. Incluem vômitos e diarreia, que os usuários consideram parte do processo de “limpeza”.

Muitos usuários relatam que se torna uma [droga depressora](https://clinicaanjosdavida.com.br/blog/dependencia-quimica/o-que-sao-drogas-depressoras/), visto que o momento é de intenso surto.

## Principais plantas alucinógenas brasileiras

### Jurema (Mimosa hostilis)

*Jurema Preta*

A jurema é uma árvore nativa do nordeste brasileiro.

Sua casca contém DMT, a mesma substância alucinógena presente na ayahuasca. Foi usada tradicionalmente por povos indígenas em rituais.

O “vinho da jurema” é uma bebida ritual preparada com a casca da raiz da planta. Era central nos rituais dos índios Kariri-Xocó e outras etnias.

Hoje, essa planta está associada a religiões como o Catimbó e a Jurema Sagrada, especialmente em Pernambuco e Alagoas.

### Caapi (Banisteriopsis caapi)

*planta Caapi*

O cipó caapi é um dos componentes da ayahuasca.

Contém substâncias chamadas beta-carbolinas, que são inibidores da MAO (monoamina oxidase), uma enzima do nosso corpo.

Essas substâncias, por si só, têm efeitos psicoativos leves. Mas sua função principal é permitir que o DMT de outras plantas seja ativo quando ingerido.

O caapi cresce naturalmente na Amazônia brasileira e em outros países da América do Sul.

### Chacrona (Psychotria viridis)

*Chacrona (Psychotria viridis)*

É o segundo componente principal da ayahuasca.

As folhas desta planta contêm DMT, que é o principal responsável pelos efeitos alucinógenos da bebida.

Sozinha, a chacrona não causaria efeitos se ingerida oralmente, pois o DMT seria degradado no estômago. É a combinação com o caapi que permite a experiência psicodélica.

É uma planta arbustiva comum na Amazônia, com folhas verdes brilhantes e pequenas frutas vermelhas.

### Trombeta (Brugmansia suaveolens)

*Planta Trombeta*

Também conhecida como saia-branca ou trombeteira, é extremamente tóxica. Conhecida também como “chá de trombeta” quando fazem o uso como drogas.

Contém atropina, escopolamina e hiosciamina, substâncias que causam delírios e alucinações muito desagradáveis.

Diferente de outras plantas desta lista, a experiência com trombeta é geralmente descrita como terrível e perigosa. Não tem uso ritual estabelecido no Brasil.

Várias mortes e intoxicações graves são registradas anualmente pelo uso indevido desta planta ornamental.

## Quando os seres humanos começaram a consumir cogumelos

Os humanos consomem cogumelos alucinógenos há milhares de anos.

**Pinturas rupestres na África e Europa, algumas com mais de 9.000 anos, parecem mostrar figuras humanoides usando cogumelos. Sugerem um uso muito antigo.**

Estátuas de cogumelos da América Central datam de 1.000 a.C. a 900 d.C. Os maias e astecas chamavam os cogumelos mágicos de “carne dos deuses”.

Na Sibéria, há evidências do uso do cogumelo Amanita muscaria em rituais xamânicos que remontam a pelo menos 3.000 anos.

Muitas culturas indígenas das Américas mantiveram tradições de uso cerimonial de cogumelos até serem suprimidas pelos colonizadores europeus.

Maria Sabina, uma xamã mazateca do México, reintroduziu o uso ritual de cogumelos ao ocidente nos anos 1950. Foi quando o banqueiro americano R. Gordon Wasson participou de uma cerimônia e depois escreveu sobre a experiência.

## Como saber se o cogumelo é venenoso?

Não existe um método simples e confiável para identificar cogumelos venenosos.

**Esqueça aquelas regras antigas como “se descascar fica azul, é venenoso” ou “se insetos comem, é seguro”. Todas essas dicas populares são perigosas e incorretas.**

A única maneira segura de identificar cogumelos é através do conhecimento especializado de suas características botânicas específicas.

Algumas espécies mortais, como a Amanita phalloides (chapéu-da-morte), parecem inofensivas e até apetitosas. Um único espécime pode matar um adulto.

**Se você encontrar cogumelos na natureza, a regra é clara: não coma a menos que seja um especialista. Nem mesmo aplicativos de identificação são 100% confiáveis nesse assunto.**

## Riscos e tratamentos para usuários frequentes

O uso frequente de cogumelos alucinógenos traz riscos consideráveis.

Um dos maiores perigos é o desenvolvimento do [TEPT](https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde-mental/transtornos-de-ansiedade-e-relacionados-a-fatores-estressantes/transtorno-de-estresse-p%C3%B3s-traum%C3%A1tico-tept) (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) após uma “bad trip”. Essas experiências negativas podem deixar marcas psicológicas duradouras.

Também existe o risco de desencadear transtornos psiquiátricos latentes. Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia ou transtorno bipolar têm maior risco.

O [HPPD](https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_perceptivo_persistente_por_alucin%C3%B3genos) (Transtorno Perceptivo Persistente por Alucinógenos) é outro problema possível. A pessoa continua tendo flashbacks visuais mesmo meses depois do uso.

Para quem desenvolve problemas pelo uso frequente, o tratamento geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental. Em alguns casos, medicamentos antipsicóticos ou ansiolíticos podem ser necessários.

A abordagem de redução de danos tem se mostrado mais eficaz que a simples proibição. Informar sobre riscos e oferecer apoio sem julgamento salva mais vidas.

Se conhece alguém que faz o uso de substâncias psicoativas, o [tratamento para dependência química](https://clinicaanjosdavida.com.br/servicos/tratamento-da-dependencia-quimica/) pode ser de grande ajuda no processo.

## Conclusão

Você chegou até aqui e agora entende melhor esse mundo complexo, não é?

Caso você conheça alguém que está fazendo uso de plantas ou cogumelos alucinógenos, ou ainda, está passando pelo [processo de abstinência](https://clinicaanjosdavida.com.br/blog/dependencia-quimica/crise-de-abstinencia-o-que-e-sintomas-e-como-lidar/), entre em contato que podemos ajudar.

Os cogumelos alucinógenos e outras plantas psicoativas fazem parte da história humana há milênios. Seja em contextos religiosos, terapêuticos ou recreativos, essas substâncias continuam fascinando e assustando.

O mais importante é sempre a informação e o respeito. Seja pela potência dessas substâncias, seja pelas leis que regulam seu uso em cada país.

Está precisando de mais informações sobre esse ou outros temas relacionados à saúde?

Nosso site oferece conteúdo educativo e com base científica sobre diversos assuntos, sempre priorizando sua segurança e bem-estar.

Lembre-se: conhecimento é a melhor forma de prevenção e cuidado.

## Autor

**Kalena Gabriel** — Psicóloga e neuropsicóloga

Psicóloga formada pela Universidade Paulista (UNIP) em 2019, com pós-graduação em Neuropsicologia pela Faculdade Metropolitana e especialização em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Atuou no CAPS IJ de 2020 a 2023, construindo projetos terapêuticos singulares em equipe multiprofissional e conduzindo grupos de reabilitação psicossocial com pessoas em sofrimento mental grave.

- Perfil: https://www.instagram.com/psico_kalena/

## Revisor

**Dra. Ana Paula Gonçalves de Mendonça** — Médica com pós-graduação em Psiquiatria

Médica formada pelas Faculdades Integradas Aparício Carvalho (FIMCA) em 2017, CRM-SP 193289, com pós-graduação em Psiquiatria pelo ISMD (2019 a 2021), em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Centro de Ensino Einstein e em Saúde da Família pela UNIFESP. Tem experiência em plantões de psiquiatria, no acompanhamento de pacientes em leitos psiquiátricos de hospitais gerais, em pronto-socorro, em CAPS e na atenção básica.

- Perfil: https://www.doctoralia.com.br/ana-paula-goncalves-de-mendonca/psiquiatra/jundiai
